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♡ sobre tartarugas ninja, impulsividade e amadurecimento

  • Foto do escritor:  Beatriz Kath
    Beatriz Kath
  • 22 de jan. de 2025
  • 6 min de leitura

Atualizado: 21 de jun.

Tartarugas Ninja (Nickelodeon, 2012)
Tartarugas Ninja (Nickelodeon, 2012)

Qual a sua tartaruga ninja favorita?


Diversas vezes vi pessoas afirmarem que a resposta para esta pergunta poderia revelar muito sobre a personalidade de alguém. Ao meu ver, não deixa de fazer sentido, mas eu ainda extrapolaria essa afirmação para além das tartarugas. Pois ao meu ver, tudo que gostamos — e também não gostamos — são apenas reflexos de quem somos.


Pois seria impossível avaliar algo e formar uma opinião a respeito sem levar em consideração nossas próprias preferências, formas de enxergar sentido — e valor — nas coisas. É por esse motivo que muito dificilmente uma mesma coisa conseguirá agradar a todos — porque não necessariamente as pessoas que a avaliarem utilizarão os mesmo critérios para isso.


Mas pensando por outro lado, algo que quase nunca vejo comentarem é o que a tartaruga ninja que você não gosta poderia revelar sobre você.


Talvez não comentem porque seria improvável — além de quase absurdo — considerar que alguém possa não gostar de alguma tartaruga ninja. Um motivo justo, ao meu ver.


Mas preciso confessar que, quando eu ainda era criança e tinha acabado de conhecer esses personagens, havia uma tartaruga ninja que eu não gostava.


Não só não gostava, como achava insuportável — e esse alguém era o Raphael.


Pensando sobre isso agora, anos depois, penso que vários fatores me faziam sentir daquela forma.


Primeiro por conta das inúmeras discussões e conflitos que o Raphael tinha com o Leonardo (meu favorito, aliás). Ao meu ver, o Raphael era quem sempre começava as brigas e ele nunca estava com a razão, então eu via a raiva e a insatisfação dele como sem sentido.


Além disso, a impulsividade e a impaciência dele me irritavam demais, pois em diversas ocasiões essas características o faziam agir de forma imprudente, causando problemas que seriam facilmente evitados se ele tivesse parado para pensar por mais alguns segundos sequer.


Tudo isso que estou dizendo seria minha avaliação do Raphael naquela época. Mas não quero me limitar a isso. Meu objetivo aqui é explorar os motivos pelos quais eu o via daquela forma. Ou seja, quais seriam meus critérios para fazer tal avaliação…


♡ impulsividade


Acredito que a principal responsável pela formação dessa minha opinião era a ideia já enraizada que eu tinha na época de que a impulsividade era — inerente e necessariamente — um defeito.


Eu sempre fui uma pessoa mais lenta que a maioria das outras quando se tratava de fazer a maioria das coisas que envolviam interações com outras pessoas. Gostava de pensar com cuidado antes de agir, evitando conclusões precipitadas e também atitudes “mal calculadas”.


Eu também me considerava bastante paciente e valorizava quem tinha a mesma paciência comigo.


Contrariamente, costumava ver como imprudentes, descuidados e desleixados aqueles que eram impulsivos e faziam a maioria das coisas sem pensar direito.


Eu não entendia quem era daquela forma porque não conseguia enxergar nenhuma vantagem ou benefício mínimo em ser impulsivo. Para mim, tal traço de personalidade sempre seria um defeito, não importava o contexto ou a situação.


A partir desse pensamento, era muito comum que personagens impacientes e impulsivos — como o Raphael — me irritassem.


♡ amadurecimento


Com o passar do tempo, entretanto, minha visão sobre a impulsividade mudou bastante, pois eu percebi — por experiência própria — que a sua ausência poderia ser tão prejudicial quanto o seu excesso.


Eu cresci evitando a impaciência, a raiva e a impulsividade, pois sempre foram traços que não me agradavam em outras pessoas, e por isso eu tentava sempre mantê-los longe de mim.


O problema foi que eu não me limitei a um ponto de equilíbrio, eu tentei removê-los por completo do meu ser. mas era impossível acabar com a raiva e a impaciência, assim como quaisquer outros sentimentos. Eu tinha a falsa ideia de que estava eliminando-os, mas estava apenas reprimindo-os — obrigando-os a ficar presos dentro de algum lugar onde eu acreditava que poderia mantê-los longe da luz do dia pelo resto da minha vida.


Então, mesmo quando algo me irritava, eu não me permitia jamais demonstrar raiva ou impaciência — pois temia que as outras pessoas me veriam da mesma forma que eu costumava ver o Raphael.


O resultado disso foi que, até hoje, eu tenho muita dificuldade de demonstrar raiva e expressar de forma clara e honesta quando alguém faz algo que me incomoda.


Também não consigo acompanhar conversas em grupo, pois sinto que estou sempre perdendo o timing certo das coisas. Não consigo simplesmente falar algo que me veio à cabeça sem passar alguns instantes avaliando aquela ideia, verificando se faz sentido e se vale a pena dizê-la. Quando eu finalmente decido que vale, o assunto da conversa já mudou e todos já estão interessados em um outro tema qualquer.


Eu demoro a reagir de forma geral, e tenho medo de me aproximar demais de outras pessoas — nem mesmo o mínimo necessário para criar conexões verdadeiras —, pois sei que em algum momento de qualquer relacionamento algo irá me incomodar, e não tenho como ter certeza de que serei capaz de verbalizar esse sentimento. Porque não consigo confiar em mim mesma nesse sentido.


É irônico pensar que, atualmente, estou tentando ser mais parecida com o Raphael.

A impulsividade em excesso ainda me irrita, mas agora não a vejo como necessariamente um defeito. Assim como quase todo o resto na vida, percebo que é apenas uma questão de equilíbrio.


A impulsividade pode resultar em atitudes imprudentes e em consequências desnecessárias. Mas também pode ser o fator decisivo que definirá a diferença entre sucesso e fracasso.


Ela permite que decisões sejam tomadas em poucos segundos — e, algumas vezes, poucos segundos podem fazer uma enorme diferença.


♡ minha relação com as tartarugas ninja


Tartarugas Ninja (Nickelodeon, 2012)
Tartarugas Ninja (Nickelodeon, 2012)

Quando eu era criança, minha tartaruga ninja favorita era o Michelangelo. Eu o achava muito fofo, bem humorado e um ótimo amigo para se ter por perto. Porém, eu também gostava bastante do Leonardo — e como azul sempre foi minha cor favorita, eu costumava dizer que ele era o meu favorito — pois não conseguia admitir que meu favorito não era o da máscara azul.


Eu também gostava do Donatello, só não tanto quanto do Mickey ou do Leo. E acho que ele sempre foi com quem eu mais me identifiquei. Talvez seja justamente por isso que não conseguia gostar muito mais dele — porque o Donnie tinha os mesmos “defeitos” que eu.


Reassistindo alguns episódios da série animada agora que já passei dos 20 anos, vejo o Leonardo como meu favorito (dessa vez de verdade mesmo, não só por causa do bônus da máscara azul) — pois admiro demais a responsabilidade e o senso de dever dele. Gosto de ver o quanto se preocupa com seus irmãos e está sempre tentando fazer o melhor por eles (mesmo que ainda precise lidar com a ingratidão do Raphael em alguns momentos, por nem sempre enxergar as coisas da mesma forma que ele). E valorizo muito o quanto ele é honesto e sempre segue as regras, mesmo quando isso o deixa em desvantagem.


E eu também sou irmã mais velha assim como ele, então me identifico bastante nesse aspecto.


Sinto que eu gostaria de ser mais parecida com o Leonardo, na verdade, mas — assim como quando eu era criança — ainda continuo sendo muito Donatello 😅


Não posso dizer que não continua me incomodando, em alguns momentos, ser tão parecida com ele — visto como um tanto estranho em interações sociais, interessado em falar sobre assuntos que poucas pessoas procuram em conversas casuais (como metalurgia e robótica alienígena), com dificuldade de tomar atitudes importantes e em situações de perigo, pois ele paralisa em vez de simplesmente agir…


Mas da mesma forma que estou no processo de aceitar certos traços que antes eu via como negativos no Raphael — e, consequentemente, em mim mesma —, também estou aos poucos deixando de ver como defeitos algumas das coisas que tenho em comum com o Donnie e que, embora eu não costumava ver como problemas, de alguma forma passei a acreditar que eram — principalmente nos últimos anos, quando deixei de ser vista como uma criança.


Continuo gostando demais do Michelangelo — acho que eu nunca me cansaria dele. hoje em dia gosto um pouco mais do Leonardo, mas o Mickey não fica muito atrás, e ainda o considero o mais divertido dos quatro.


E, por fim mas não menos importante, Raphael — aquele que deu origem a essa minha reflexão e resultou em todo esse texto.


Atualmente, minha relação com ele já é bem diferente da que eu tinha quando criança. Além de conseguir reconhecer os méritos de sua atitude impulsiva em diversas ocasiões de vida ou morte, também o acho muito divertido e engraçado.


Mesmo que ele se esforce para não demonstrar tanto quanto o Leo, é evidente que ele também é bastante protetor com os próprios irmãos, assim como é com sua tartaruga de estimação :3


No final, acredito que o maior objetivo — e o maior desafio — da vida é estar sempre buscando o equilíbrio das coisas. Não se deixando dominar por sentimentos como a raiva a ponto de fazer coisas que irá se arrepender depois. Mas tampouco assumindo uma postura passiva a ponto de negar as próprias vontades e opiniões — paralisando no tempo e deixando de viver como realmente gostaria.


Mas afinal, qual a sua tartaruga ninja favorita?


♡ minhas redes sociais


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