♡ entrevista 10# | escritora Lia Regius

Atualizado: 17 de out.
introdução
Conheça novos autores e autoras nacionais independentes através deste projeto de entrevistas publicadas de maneira seriada aqui no blog. Tenha a chance de conhecer novas histórias e um pouco mais sobre as inspirações e projetos em andamento destes escritores. E caso se interesse pelo que descobrir, não deixe de apoiá-los em suas próprias redes.
Boa leitura!

quais gêneros ou subgêneros literários você escreve?
Terror e suspense.
quem é você além da escrita?
Antes de mais nada, sou uma leitora insaciável. Prefiro suspense, policial e terror, mas leio de tudo. Trabalho como revisora de texto e tradutora há mais de vinte anos, então dá para dizer que passei a vida toda lendo. E não tem nada melhor.
qual a sua história com a escrita?
Sou filha de uma contista talentosa, Mariza Magalhães. Mas a influência dela não foi só na escrita. Minha mãe lia muito para mim, mesmo antes de eu aprender a falar. Ela lia histórias de princesas, bruxas e reinos distantes. Mas não é culpa dela se eu ficava bem mais impressionada com os dragões, demônios, fantasmas e monstros. Ter uma pessoa abrindo as portas da minha imaginação foi fundamental para eu começar a inventar minhas próprias histórias, criar meus próprios mundos. Para gente quieta, que nem eu, o barulho na mente é imenso. A gente tem que achar um jeito de colocar tudo isso para fora.
como costuma ser a sua rotina de escrita no dia a dia?
Ah, eu adoraria ter uma rotina, para começar. Sei que tem gente que escreve um pouquinho todo dia, ou um X de horas. Eu não consigo ser assim. Depende da minha carga no trabalho, do meu humor, de uma infinidade de coisas. Tem vezes em que me sinto tão oca ou sobrecarregada que não sai nem uma linha. Mas tem vezes que transborda. Pode ser falta de planejamento da minha parte, claro. Mesmo assim, respeito meu ritmo, meu fluxo. Ou a falta dele.
possui algum livro(s) publicado(s)? se sim, qual(is)?
Sim! Tenho dois filhos.
“Dois mistérios em uma noite fria” é o mais velho. É um longa de suspense com mais ação do que eu me achava capaz de escrever. Venceu o edital da editora Sinna e está em pré-venda.
O segundo é mais curtinho. Chama-se “Vigília de sangue”. Conta a história de três homens que veem seu destino se cruzar em uma noite que termina tragicamente para um deles.
fale um pouco sobre seu(s) livro(s).
“Dois mistérios em uma noite fria” foi nascendo bem devagar. Em 2017, escrevi meu primeiro livro. Não gostei do resultado. Na época, eu estava enfrentando uma perda, e isso acabou se refletindo na minha escrita. Eu gostava dos personagens, mas não no meio daquela escuridão toda. Arquivei o projeto, inclusive uma personagem secundária chamada Greta. Assim, sem nem sobrenome.
Quase dez anos depois de abandonar a história, outro personagem começou a surgir na minha cabeça, o Daros. O problema é que ele olhava para as tramas que eu planejava para ele e não entrava nelas de jeito nenhum. Era como se dissesse: “Essa não é minha história, desculpa”. Então ficava parado na página, só faltando assobiar. Eu estava perdendo minha paciência com ele. Daros nem tentava interagir com minhas outras criações. Um dia, coloquei o sujeito ao lado da Greta, aquela do primeiro livro engavetado. Coloquei os dois num posto de gasolina no meio do nada. O Daros acordou para a vida e não parou mais de agir. Foi meio maluco. Era como se ele estivesse esperando por aquele encontro.
o que te inspirou a escrever seu(s) livro(s)?
“Vigília de sangue” nasceu de um jeito bem diferente. Eu comecei pelo final. E se as coisas não fossem como a gente pensa que são? Eu realmente acho que às vezes a gente se perde porque está olhando para o lado errado. Eu queria contar uma história que fisgasse o leitor, que o assustasse até certo ponto. Mas era importante para mim também abordar aquelas estradas secundárias, aqueles sinaizinhos pequenos que a gente ignora porque tem a ilusão de que sabe onde está.
compartilhe uma citação de um dos seus livros ou projetos em andamento.
❝ O homem seria atraente em outras circunstâncias, talvez à luz do dia, entre pessoas comuns, e não ali, sob lâmpadas mortiças e o zumbido das bombas. Porque uma coisa era ver um lobo cinzento destacado contra a neve ilustrando um artigo sobre a vida no hemisfério norte. Outra bem diferente era dar de cara com o animal durante um passeio solitário pela mata fechada.❞
❝ Há um toque de eternidade nos amores platônicos, Greta sabia agora. Cada um deles é uma estrada que o tempo não destrói, porque nunca levou a caminhos conhecidos, nem a paisagens reais.❞
— Trechos de "Dois mistérios em uma noite fria".
em qual(is) meio(s) ou plataforma(s) seus livros podem ser encontrados?
Livro físico e Amazon.
como foi (ou como planeja que seja) sua experiência de publicação independente?
Bem, eu tive a sorte de ser selecionada por uma editora tradicional logo no primeiro livro. A partir de agora, o caminho é meio nebuloso. Talvez eu publique algo de forma independente na Amazon ou outra plataforma, talvez não. Como não escrevo tão rápido quanto eu gostaria, tempo é o que não me falta para pensar a respeito.
caso já tenha alguma obra publicada, como vem sendo sua relação com os leitores? os feedbacks que recebeu influenciaram de alguma forma nas suas próximas histórias?
Ah, o feedback foi maravilhoso, de ambos os livros. É aquela parte que compensa todas as noites em que duvidei da história, duvidei de mim mesma. “Vigília de sangue”, por estar no Kindle Unlimited, é o que mais rendeu elogios. Já “Dois mistérios em uma noite fria” foi lido por menos gente, pelo menos até agora. Mesmo assim, não esqueço das primeiras duas leitoras fora do meu círculo que encontrei falando da obra, uma no Instagram, outra no Face. Deu vontade de apertar as duas até gritar, mas me controlei. Posso ser surtada, mas ninguém precisa saber disso.
qual a sua maior realização ou conquista como escritora até agora?
A melhor coisa que aconteceu até agora foi receber a carta de aceitação da Sinna. É sério. O parecer era tão detalhado, tão humano, que eu chorei. Continuei chorando por todo o dia seguinte. Imprimi a carta, só falta emoldurar. Eu releio sempre. Não é por vaidade: é pela sensação de que alguém viu a história do mesmo jeito que eu. Talvez tenha visto até mais do que vi. O segundo momento foi ter sido semifinalista de melhor longa de suspense de 2025, também com “Dois mistérios em uma noite fria”. Foi uma validação e tanto, sabe? Anima.
qual o seu maior sonho como escritora?
Não tem coisa melhor do que conquistar uma base real de leitores. Então, esse é meu sonho. Ter gente esperando para ler a próxima história. Virar filme deve ser o máximo, claro. Mas fazer as pessoas aguardarem ansiosamente pelo novo livro da gente é o paraíso na terra.
quais os seus livros e autores favoritos?
Bom, sendo uma criaturinha das trevas, preciso citar meus musos absolutos: Dean Koontz e Stephen King. Mas há vida fora do gênero preferido da gente. Então não posso deixar de fora Erico Verissimo, Isabel Allende e Josué Guimarães. O livro que mais li e reli na vida, porém, é Hamlet. Tá todo riscado, sim! E nem consigo me envergonhar disso.
qual(is) livro(s) você está lendo agora?
"A garota no gelo", de Robert Bryndza. O próximo da fila é "A Cabeça do Santo", de Socorro Acioli.
qual livro você gostaria de ter escrito? por quê?
Ah, nenhum. Eu não gostaria de tirar a conquista de ninguém. Mas adoraria ter o dom da prosa poética de Mia Couto e Carlos Ruiz Zafón.
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Leia Tanto Tupiassu se você quer ser obrigado a dormir de luz acesa.
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